O que é o PLVB?

O Programa de Logística Verde Brasil (PLVB) é uma iniciativa estratégica das Empresas Membro que reflete o seu compromisso com a responsabilidade socioambiental corporativa e que busca capturar, integrar, consolidar e aplicar conhecimentos com o objetivo de reduzir a intensidade das emissões de gases de efeito estufa (GEE), em particular o dióxido de carbono (CO²), de poluentes atmosféricos e também aprimorar a eficiência da logística e do transporte de carga no Brasil, por meio do desenvolvimento progressivo de um programa nacional de sustentabilidade em logística que dará autonomia e capacitará embarcadores, operadores de transporte, operadores logísticos e todos os demais agentes que apoiam e atuam nestas atividades.

Sob a coordenação do Laboratório de Transporte de Carga (LTC) da COPPE[1]/UFRJ[²], instituição que acumula 10 anos de experiência no tema, o PLVB tem como escopo considerar todas as atividades logísticas, porém, com foco inicial no transporte de carga, em particular pelo modo rodoviário.

Com início em julho de 2016, nos seus primeiros seis meses de atividade, o PLVB tem como objetivo principal desenvolver, elaborar e publicar um Guia de Boas Práticas para o aprimoramento ambiental do transporte de cargas que considerasse (1) o aproveitamento de programas similares já existentes nas Empresas Membro; (2) a experiência nacional e internacional sobre o tema e (3) a consolidação consistente dos resultados esperados. Adicionalmente o PLVB também busca identificar e detalhar diferentes métodos de medição de eficiência energética e emissão de gases de efeito estufa (GEE) com a finalidade de estabelecer uma metodologia comum e difundir boas práticas e histórias de sucesso na área de “frete verde” por meio da divulgação em eventos e da comunicação em diferentes mídias.

[¹] Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia

[²] Universidade Federal do Rio de Janeiro

Sustentabilidade em logística, o desafio do século 21

Logística é uma atividade vital para toda a sociedade pelo suprimento de cargas e serviços e por ampliar os resultados econômicos das empresas, representando de 7% a 9% do produto interno bruto (PIB) mundial e cerca de 12% do PIB brasileiro[1]. No entanto, consome significativo volume de energia (entre 9% e 12% da energia consumida no mundo[²] e cerca de 19% da energia consumida no Brasil[3],[4]), tem potencial de prejudicar a qualidade do ar local, gerar ruído e vibração, provocar acidentes, gerar resíduos sólidos e líquidos e contribuir com o aquecimento global, que atualmente, é o maior desafio ambiental do planeta.

Neste contexto, em função da sua quase total dependência do uso de combustíveis derivados do petróleo, o transporte de carga, principal função logística, é um importante contribuinte da emissão mundial de dióxido de carbono (CO²), principal gás de efeito estufa (GEE) e contribui para as mudanças climáticas decorrentes do aquecimento global.

O conceito de logística está associado às atividades de planejamento, implantação e controle do fluxo de mercadorias, serviços e informações, do ponto de origem (suprimento de insumos de produção) até ao ponto de destino (cliente final), com objetivos voltados para redução de custos totais e ampliação do nível de serviço. Indo além desta visão tradicional, a logística deve objetivar também a redução dos impactos ambientais promovidos por suas atividades, principalmente no que diz respeito a atividade de transportes em função de ser uma de suas mais importantes funções principais.

A ampliação deste horizonte conceitual leva a termos como logística de baixo carbono, logística verde e logística sustentável, que acrescentam ao termo “logística” caraterísticas relacionadas a necessária avaliação dos aspectos socioambientais. Destaca-se que a logística de baixo carbono busca especificamente a redução do uso de combustíveis fósseis e da emissão de CO²; a logística verde amplia a abrangência para a consideração de outros atributos ambientais, como emissão de poluentes atmosféricos, geração de ruído e vibração, consumo de água e geração de resíduos sólidos e líquidos e a logística sustentável é a mais abrangente, pois introduz a consideração do aspecto social a avaliação do desempenho logístico.

Empresas de classe mundial e com atuação global já perceberam faz algum tempo a importância de estabelecer e atingir metas comprometidas com o conceito de logística sustentável. Mais que isso, que os termos como “verde” e “sustentável” vão muito além de um compromisso com o meio ambiente e representam de fato a prática de ações que aprimoram a efetividade de suas operações e representam uma questão de sobrevivência no mercado.

Vencer o desafio de ampliar o horizonte conceitual do termo logística, reforçando o compromisso com a responsabilidade socioambiental corporativa pode ser feito por meio de boas práticas que busquem conciliar a maximização dos lucros e o aumento do nível de serviço e da competitividade das empresas, sem comprometer seu desempenho socioambiental, em particular no que se refere ao transporte de carga, uma de suas funções principais.

Iniciar este processo de identificar e consolidar boas práticas para o transporte de carga e a logística, que atendam especificamente a realidade brasileira e aos perfiz de operação das Empresas Membro, e disponibilizá-las na forma de um Guia de Boas Práticas justifica a iniciativa do PLVB e fundamenta a sua promoção.

[¹] Panorama ILOS 2016.

[²] Sims R., R. Schaeffer, F. Creutzig, X. Cruz-Núñez, M. D’Agosto, D. Dimitriu, M. J. Figueroa Meza, L. Fulton, S. Kobayashi, O. Lah, A. McKinnon, P. Newman, M. Ouyang, J. J. Schauer, D. Sperling, and G. Tiwari, 2014: Transport. In: Climate Change 2014: Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Fifth Assessment Report of the Intergovern- mental Panel on Climate Change [Edenhofer, O., R. Pichs-Madruga, Y. Sokona, E. Farahani, S. Kadner, K. Seyboth, A. Adler, I. Baum, S. Brunner, P. Eickemeier, B. Kriemann, J. Savolainen, S. Schlömer, C. von Stechow, T. Zwickel and J.C. Minx (eds.)]. Cambridge University Press, Cambridge, United Kingdom and New York, NY, USA.

[³] [R]Evolução Energética, Rumo a um Brasil com 100% de energias limpas e renováveis. Cenário 2016, Greenpeace Brasil, São Paulo, SP

[4] D´Agosto; Márcio de Almeida. Transporte, Uso de Energia e Impactos Ambientais. Uma Abordagem Introdutória. 1ª Ed., Elsevier, 2015.

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